Por Antonio Costa
As bancadas do AxA em Braga estão cada vez mais insuportáveis. Há sempre dois motivos para insultar o treinador: “por tudo” e “por nada”. A imbecilidade abunda por aquelas bandas.
Sei que o futebol é mais paixão do que razão, mas há limites para tudo. Para algumas pessoas os jogos deveriam realizar-se sempre na parte da manhã, altura em que as cabeças estão mais limpas. À noite começa a ser problemático.
O treinador Leonardo Jardim veio para Braga com uma missão complicada, uma vez que herdava uma equipa de sucesso quando foi treinada por Domingos Paciência que na sua primeira época levou os braguistas a acreditar até ao fim que era possível ser campeão nacional, mesmo com todos os “túneis” em que o SLB se metia e onde os outros eram castigados. Faltou “um bocadinho assim” para ser campeão, naquela que foi a melhor época de sempre no campeonato traduzida na melhor classificação de sempre.
Os Gverreiros do Minho eram vice-campeões e fariam história a seguir ao chegar com toda a classe do mundo à fase de grupos da Liga dos Campeões, cujo carimbo foi obtido em pleno “Sanchez Pijuan” naquele épico Sevilha 3 vs S.C.Braga 4. A estreia na fase de grupos da Liga dos Campeões foi motivo de chacota nos primeiros dois jogos, quer por parte de quem já tinha lá estado, quer por quem nunca lá chegará. O grupo de Domingos Paciência faria um total de 9 pontos, pontuação que em várias situações garante o sucesso, disputando mesmo assim o apuramento na Ucrânia no último jogo.
A caminhada europeia dos Gverreiros do Minho far-se-ia a seguir na Liga Europa, onde tombaram vários gigantes do futebol europeu, como Dínamo de Kiev. Liverpool ou Benfica, numa demonstração de força coletiva que espantou o mundo desportivo. De eliminatória em eliminatória o Braga chegou, impensavelmente, à final da Liga Europa em Dublin, numa final lusitana contra o F.C.Porto, que tinha ganho tudo que valia a pena ganhar a nível interno. Assisti ao vivo a uma final europeia bem disputada e que ficou decidida em dois erros individuais, um defensivo que seria fatal por parte de Rodriguez e outro ofensivo que se tornou irrecuperável por parte de Mossoró. Era o fim de um sonho do tamanho do mundo para os braguistas. O S.C.Braga tornava-se vice-campeão da Liga Europa, apesar de a nível interno as coisas terem sido piores do que se expectava.
Com o fim do jogo de Dublin chegava a certeza de que mais de metade da equipa e o “general“ Domingos Paciência que a comandara iam embora.
Chegava a hora de entrar Leonardo Jardim para refazer a equipa com um conjunto alargado de contratações. Desde a baliza até Hugo Viana era tudo novo. Ao treinador exigia-se que reconstruísse uma equipa ao mesmo tempo que tinha que ganhar. O tempo era o inimigo deste árduo trabalho do novo técnico e a competição começava prematuramente com a exigência de um apuramento para a fase de grupos da Liga Europa frente aos suíços do Young Boys. O Braga passaria à fase de grupos como era exigido, traduzindo nesse apuramento a sua superioridade na eliminatória.
A nível interno o Braga entrou com um “empate amarelo” em Vila do Conde frente ao Rio Ave. Porém o percurso na Liga da equipa traduz-se até ao momento num percurso normal, com a equipa a subir seis pontos em relação à época passada. A nível europeu o Braga apurou-se na penúltima jornada, apesar de algum azar ter impedido a equipa de conseguir o pleno nas primeiras cinco jornadas da fase de grupos. Uma goleada por 5-1 frente ao Maribor fazia igualar o maior número de golos num jogo europeu, o que tinha acontecido frente a uma fraca equipa de Malta há muitos anos atrás.
O sorteio da taça de Portugal foi pouco amigo e na segunda entrada em prova, depois de ter ganho inequivocamente em Sintra ao 1º de Dezembro, o Braga deslocava-se novamente a casa de um dos chamados grandes. Chegava uma eliminação prematura e injusta frente ao Sporting, face ao bom jogo realizado pelos Gverreiros do Minho em pleno estádio de Alvalade, num jogo em que o árbitro ajudou bastante no resultado final.
Até este momento o Braga conseguiu marcar 5 golos por duas vezes, algo que o anterior treinador tinha conseguido apenas uma vez em duas épocas. Globalmente o treinador tem conseguido reconstruir a equipa como lhe era exigido, apesar do elevado número de lesionados de longa duração existentes no plantel. A defesa que havia sido refeita no início da época tinha de ser novamente remodelada. Azar a mais para uma equipa só que estava em fase de reconstrução. Em simultâneo o S.C.Braga está de momento numa classificação superior à do período homólogo da época passada, fruto de mais 6 pontos conquistados.
Ora perante este percurso uma parte das bancadas do AxA em vez de apoiar o grupo de trabalho e o seu comandante passam o tempo a assobiar e a insultar tudo e todos, numa demonstração inequívoca de que a imbecilidade não tem lugar para se alojar. Leonardo Jardim é um treinador incompreendido e sem o apoio que seria normal existir numa equipa que segue numa posição entre os quatro primeiros lugares como fora definido como um dos objetivos da época. Outros dois objetivos europeus foram conquistados, através do apuramento para a fase de grupos e do posterior apuramento para os dezasseis/avos de final da competição.
Diversas vezes acusei os adeptos de um clube rival de serem arrogantes e extremistas, e não é que agora muitos adeptos do meu clube, que se dizem braguistas, revelam em permanência comportamentos desviantes que em nada dignificam o clube nem a equipa que o representa.
Espero sinceramente que Leonardo Jardim responda com resultados positivos à imbecilidade de que tem sido alvo por parte de uma franja daqueles que deveriam ser os adeptos do Braga e não os seus principais inimigos. Por mim Leonardo Jardim, e a sua equipa técnica, tem todo o apoio possível e torço claramente para que a sua passagem por Braga seja coroada por sucessos desportivos. As vozes discordantes e críticas calar-se-ão um dia qualquer, abafadas pelos resultados apresentados pelos Gverreiros do Minho.

