Original de Johnny Cash e tornada famosa por Tom Petty, a música “I won’t back down” (Não vou desistir) descreve aquilo que eu acredito que o Braga é e que cada adepto do Braga sente.
Liderado habilmente pelo presidente Salvador e seus directores – que fizeram do Braga um clube estável financeiramente, numa época em que a maior parte dos clubes lutam contra a ruptura financeira – e constantemente menosprezado pelos media nacionais e raramente alvo de crédito merecido, o Braga lutou e luta com unhas e dentes, contra um sistema na tentativa de sobreviver no topo da Liga.
O primeiro verso da música facilmente poderá ser associado ao Braga da primeira metade do campeonato, numa altura em que os que não acreditavam neste Braga, nomeadamente a comunicação social, deitavam o clube abaixo, não aceitando o facto praticar um futebol de primeira classe e de ser líder incontestado.
Comparam-nos ao Boavista e ao Leixões de anos transactos e ignoraram que, obviamente, esta é uma equipa em ascensão e não uma equipa que entrou de rompante no campeonato português. Estamos no topo e estamos para ficar. Esta é a convicção do clube e dos seus adeptos. Mesmo quando nos tiraram Vandinho, a equipa e os adeptos mantiveram-se firmes contra aquela que foi uma tentativa de nos fazer descarrilar neste trilho rumo à liderança.
O segundo verso da canção pode também ser associado à segunda metade da época, quando nos debatemos com a injustiça da suspensão do Vandinho e não conseguimos apresentar o futebol bonito da primeira fase do campeonato. No entanto, o Braga continuou a trilhar o caminho do sucesso, não obstante a imprensa ter feito o funeral após o resultado desastroso frente ao FC Porto. Mas nós levantámo-nos e seguimos adiante agarrando-nos a uma coisa. E essa coisa é o acreditar. O acreditar que temos uma grande equipa, um grande clube, grandes adeptos e, acima de tudo, acreditar que jogamos um bom futebol, apesar de algumas tentativas de nos derrotarem fora das quatro linhas.
Em Leiria o lema “Não vou desistir” viu duas faces da mesma moeda. Uma das maiores deslocações de sempre de adeptos, cerca de oito mil, levou a festa das gentes do Minho rumo ao sul. Mostramos ao país que estamos onde estamos porque merecemos e que não é por acaso. Que viemos para ficar. Provocações e insultos aos adeptos do Braga por parte de um agente da polícia durante o jogo, que chegou mesmo a celebrar o golo da União de Leiria, fizeram da festa um filme de terror.
Adeptos do Braga – mulheres, crianças e idosos – foram agredidos indiscriminadamente, pulverizados com gás pimenta sem aviso e com a polícia (Corpo de Intervenção da PSP) a bloquear as saídas para que ninguém pudesse “escapar”. “Culpa” dos adeptos que estavam a festejar com os seus jogadores a vitória da sua equipa…
Foi deplorável e cobarde a acção dos agentes e foi desencadeado por um dos seus elementos, que mostrou que não tem perfil nem competência para pertencer a tal corpo de elite. O seu dever é proteger as pessoas, não agredir. Só deve intervir em casos de violência, agressão ou casos extremos. Nada disso aconteceu. Havia festa com os jogadores. Festa que os agentes estragaram com a sua acção. Mulheres, crianças e idosos… Todos os que estavam no estádio presenciaram tais actos, mas não houve ninguém que relatasse o que lá se passou. Não passou em nenhuma televisão.
Há uma mensagem clara que passa. NÓS NÃO VAMOS DESISTIR. Estamos cá para ficar e o nosso sonho de ganhar o campeonato está longe do fim!


