Karl

Treinador de bancada…

In Uncategorized on October 27, 2011 at 10:16 am

Alguma vez gritou, esperneou, pontapeou o ar, puxou os cabelos não acreditando naquilo que estava a acontecer? Porque será que determinado jogador ficou em campo quando devia ter sido substituído? Um jogador cuja nossa avó ainda se mexe mais do que ele. Porque é que aquele jogador está a jogar naquela posição e não o outro? Mas que substituição foi aquela?! Já alguma vez comentou com o vizinho de cadeira que não entendeu a opção táctica do treinador para o jogo? Ou fez aquele comentário que não dignifica em nada o treinador… nem os jogadores que falharam o passe. Ou que cometem sempre os mesmos erros. Ou ainda se pergunta porque é que os cantos são sempre marcados da mesma maneira ou os livres… e que os jogadores já deviam saber que quando marcam um golo não podem tirar a camisola e com essa atitude levar o inevitável cartão amarelo. Já alguma vez se levantou no ar e gritou para dentro do campo, como se o jogador o fosse realmente ouvir, que ele não pode continuamente jogar para trás – sim! porque a baliza está lá na frente e nós queremos é ver golos… Ai que nos irrita tanto quando um jogador “brinca” constantemente à frente da área. Ou quando o guarda-redes não consegue colocar a bola naquele jogador. Bolas! Não é isto o trabalho deles? O que eles fazem todos os dias?

Mas se o leitor vive intensamente um jogo e tem os pensamentos acima descritos, informo-o que o leitor é o verdadeiro treinador de bancada!

Ser treinador (o real, o verdadeiro) não é fácil!

A outro nível, também eu fui treinador. Ser treinador exige um trabalho exaustivo no estudo das equipas adversárias. Entender como jogam, conhecer todos os jogadores, as suas posições, as suas “manhas”. A dificuldade começa logo na escolha da equipa. Escolher uma equipa nunca é fácil. Aliás, é mesmo difícil deixar toda a gente contente. E há que gerir as frustrações daqueles que não são opção. E saber quem está efectivamente em forma. Ou se as lesões aconselham o descanso quando um jogador quer mesmo jogar para conseguir o lugar na equipa. Ou quais as opções tácticas para se jogar com determinada equipa. Ou as posições dos jogadores e as movimentações dentro de campo. Nas bancadas superiores do estádio temos uma visão muito mais clara da disposição dos jogadores em campo. É quase como um jogo de xadrez. Visto do alto, o jogo parece completamente diferente daquilo a que normalmente estamos habituados a ver. Mas não conseguia imaginar-me ver futebol na bancada de cima jogo após jogo para tentar perceber esta dança de jogadores.

Bem, da próxima vez que insultar um treinador, ou pedir a cabeça do mesmo porque ele eventualmente não percebe nada disto – até porque o leitor, dito “treinador de bancada” percebe muito mais – lembre-se que de facto não há escolhas simples. As decisões de optar por um jogador em detrimento de outro para iniciar a partida, as substituições que faz ou que não faz, nunca são decisões fáceis. Há muitos factores que condicionam e influenciam as escolhas do treinador, mesmo aqueles que, como adeptos, nunca chegaremos a saber. Mas o treinador é quem tem a decisão final de escolher os menos e os mais apreciados pelos adeptos (se bem que não é este factor que pesa na sua decisão!), ou pelos “treinadores de bancada”, e como “cada cabeça sua sentença”, vamos andar a falar bem ou a falar mal do treinador durante sete dias até ao próximo jogo. Nunca é fácil.

E se por acaso for daqueles que gosta de apostar, aposte sempre no enorme Sporting Clube de Braga!



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